sexta-feira, 23 de julho de 2010

O final que não quer ter fim

O rosto queima enquanto nós - eu e a as lágrimas - tentamos desafiar a gravidade, é que elas não querem morrer no tecido da camisola, e eu, eu não quero que caiam, não quero admitir minhas fraquezas. A gente sabe quando uma coisa nasceu fadada ao fracasso, mas dói bem mais quando a gente não quer acreditar nisso. A dor rasga, consome e mata, devagar como nas velhas torturas. A mente continua fixa na mesma história, criando imagens, cenas. E a dor aumenta. A gente continua se falando pra tentar se acertar, mas logo, outra mentira se torna verdade. E a dor aumenta. Eu te amo, mas meu bom senso e minha razão juntas, não querem me deixar lembrar. E a dor aumenta. Mas a razão me conta que é só uma dorzinha boba que passa. Mas é uma dorzinha boba que incomoda, sempre no mesmo lugar, cada vez que eu penso, que abro os olhos e enxergo a realidade. Mas, mesmo com a razão e, claro, meu amor próprio me dando ordem expressas, logo o coração volta a bater e se apaixona de novo.


Adeus você...

sábado, 24 de abril de 2010

Desde quando?

Eu não sei mais o que esperar, se sempre que perco o chão penso que envelhecer instantaneamente solucionaria. Tenho ficado cada dia mais só, em mim, procurando o que não existe, desejando que a dor seja breve. Mas ela nunca é. Acumulando cicatrizes, dores no estômago, tapas na cara... junto disso, a falta de sentimento e um coração petrificado. Nada dói tanto que perder a vontade de sentir, saber que a minha intensidade me deixou pra trás quando decidiu ir embora. E quando for a sua vez de ir, o amor também irá. Só ficaremos eu, minha dor, e a minha velha vontade de ser velha.
O mundo é um moinho.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Aquela velha história

Foi o olhar, muito antes que palavras ou toques. A profundidade do olhar que cala a voz e pára o tempo. Como se o chão os abandonasse e os astros tivessem combinado o ato de um ir e o outro vir. O sorriso escondendo o medo de pertencer, fugindo de um encontro que já havia sido planejado. O toque, a pele, o calor os fez esquecer tempo e espaço, a vontade de não se soltar, como se aquele momento não tivesse sido o único até então. Eles se queriam, e se amavam. Como se já se conhecessem. Bastou um toque pra se darem conta. E palavras pra entenderem que nunca existiriam as últimas. A construção de uma história, um romance sem final. Mas feliz.
[ como você me dói de vez em quando ]